Os dias repartem-se complicados entre cabeceira da Avó e cabeceira do Pai.
Ano complicado este em que a presença do Pai em casa tem sido constante.
Não têm sido fáceis as horas que se arrastam como se arrasta a respiração difícil da Avó.
Resta o conforto dos sorrisos trocados entre primos e a certeza que Ela não se sente sozinha nunca.
Talvez os beijos, mimos, palavras sussurradas ao ouvido lhe tornem as horas menos pesarosas e o descanso possível.
Fica-nos o amargo de não saber se Ela as ouve sempre e o arrependimento de nunca as ter dito quando ainda as podia guardar sem se perder no seu mundo.
A tentativa de aproveitar todo o tempo que resta sabe a frustração na hora da despedida para casa. Sem saber se essa é a ultima.
O Pai anda por casa. Algumas horas passadas à sua cabeceira também. Uma febre que teima em não desaparecer, umas dores que não dão espaço ao descanso e umas rugas de preocupação que vão vincando a expressão.
Dias difíceis estes em que nem o Sol aparece para nos aquecer.
Dias difíceis que se tornam um pouco mais leves quando te tenho ao meu lado e já não tenho que ser sozinha a suportar tudo. Em que me deito no teu colo e imagino céus cor-de-rosa para nós.
Tardarão?